Prancha botânica da tangerineira portuguesa Setubalense com árvore aberta, flor, folha estreita e fruto achatado aromático com sementes
Fruteira Exigente

Tangerineira Setubalense

Citrus reticulata 'Setubalense' · Rutaceae

Tangerina tradicional portuguesa muito aromática e saborosa, de inverno, hoje rara por alternância, numerosas sementes e empolamento da casca.

ExposiçãoSol pleno e clima ameno
ÁguaRegular, sem oscilações no enchimento
CicloÁrvore perene enxertada
SoloFértil, drenado e abrigado
pH5,5–7,5
Espaço4–5 m

Do início ao estabelecimento

Como plantar

  1. Confirmar cultivar e porta-enxerto

    Setubalense é material tradicional português que só se conserva fielmente por enxertia identificada; a semente dá descendência variável. Compre planta enxertada em viveiro autorizado, com cultivar, clone, porta-enxerto, lote e passaporte identificados; uma semente nunca reproduz fielmente esta cultivar.

  2. Escolher o microclima

    Escolha-a para autoconsumo, circuitos locais e conservação de património, explicando antecipadamente as limitações comerciais. Reserve sol pleno, abrigo de vento frio, drenagem interna e espaço para circulação de ar; não plante numa baixa onde ar frio ou água se acumulem.

  3. Plantar com a união alta

    Plante de outono a primavera fora de geada e calor, mantendo o topo do torrão ao nível do terreno e a enxertia bem exposta. Regue profundamente, cubra o solo sem tocar no tronco e retire tutor apertado.

  4. Planear polinização e calendário

    Produz sementes e pode alternar fortemente; diversidade de polinizadores melhora vingamento, mas não resolve o objetivo de apirenia. Mapeie cultivares vizinhas e a sequência de colheita; proximidade de citrinos férteis pode aumentar sementes mesmo numa cultivar normalmente apirena.

Janelas nacionais

Calendário

Plantar
JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez
Colher
JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez

Estas são janelas de referência. Atrase com geada e altitude; antecipe em encostas quentes e zonas costeiras suaves.

Depois de plantar

Cuidados essenciais

Regar pela carga e pelo solo

Mantenha humidade regular da floração ao crescimento do fruto, sem encharcar o colo. Expanda os emissores com a copa e use análise de água, solo e folha antes de corrigir sais, ferro ou azoto.

Formar uma copa iluminada

Limite a poda a madeira morta, ramos cruzados, saias excessivamente baixas e ladrões. Cortes fortes provocam rebentação vertical, escaldão e atraso de produção; desinfete ferramentas entre árvores suspeitas.

Colher por maturação interna

Colha no inverno quando aroma, sumo e acidez estão equilibrados; casca solta não significa necessariamente interior passado. Cor da casca, sobretudo após noites frias ou retorno do calor, não basta: prove e acompanhe sumo, açúcares e acidez. Citrinos não melhoram em açúcar depois de colhidos.

Diagnóstico antes de tratar

Problemas frequentes

ProblemaComo reconhecerPrimeira resposta
Alternância, sementes e empolamentoAno de carga excessiva seguido de pouca flor, muitos caroços e separação da casca da polpa.Desbastar carga excessiva, manter água regular, colher no ponto e vender com descrição honesta; preservar clones superiores identificados.
Mosca-do-Mediterrâneo e tripesPicadas, podridão, larvas, cicatriz anelar ou prateada junto ao pedúnculo e deformação de folhas ou fruto jovem.Monitorizar, retirar fruta caída e seguir avisos e medidas oficiais; não transportar material ou fruto de áreas demarcadas contra regras fitossanitárias.
Phytophthora, goma ou franqueamentoCasca escura ou com goma no colo, folhas amarelas, raízes castanhas, enxertia enterrada ou rebentos diferentes abaixo dela.Afastar água e cobertura do tronco, confirmar drenagem e agente, remover ladrões e preservar a união acima do solo; tolerância do porta-enxerto não é imunidade.

O INIAV alerta para o abandono desta cultivar apesar do sabor, devido a sementes, alternância e casca empolada. As janelas de colheita são orientativas para Portugal: litoral, altitude, carga, porta-enxerto e ano podem antecipar ou atrasar várias semanas.

Contexto português

Adequação regional

Norte litoral No Norte litoral, procurar abrigo, drenagem e calor acumulado; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Norte interior No Norte interior, o frio de inverno e a geada limitam fruto e madeira; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Centro litoral No Centro litoral, escolher microclima soalheiro e solo drenado; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Centro interior No Centro interior, proteger de geada e calor seco extremo; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Lisboa e Vale do Tejo Em Lisboa e Vale do Tejo, controlar vento, água e mosca-do-Mediterrâneo; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Alentejo No Alentejo, assegurar rega, proteção do escaldão e qualidade da água; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Algarve No Algarve, ajustar colheita, rega e sanidade ao principal território citrícola; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Açores Nos Açores, proteger do vento e excesso de chuva; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.
Madeira Na Madeira, ajustar altitude, água e pressão de pragas ao clima muito suave; o valor é patrimonial e aromático, mas frio, sementes e alternância exigem planeamento.