Prancha botânica de Cistanche phelypaea com haste carnuda amarela sem clorofila, espiga densa de flores amarelas, cápsulas e ligação subterrânea à raiz de Halimione
Costeira Exigente

Cistanche-amarela

Cistanche phelypaea · Orobanchaceae

Geófita parasita sem clorofila dos sapais e estuários, dependente das raízes de gramata, valverde ou salgadeira e imprópria para transplante ou cultivo doméstico autónomo.

ExposiçãoA exposição resulta da posição da planta hospedeira
ÁguaA mesma dinâmica salina do hospedeiro
CicloGeófito perene parasita de raízes
SoloSapal médio a alto com hospedeiro compatível
pH6,5–8,8
EspaçoNão aplicável; ocorre ligada a raízes hospedeiras

Do início ao estabelecimento

Como plantar

  1. Conservar em vez de transplantar

    Se surgir, marque a haste e as plantas hospedeiras próximas; não cave para procurar a ligação subterrânea.

  2. Identificar o hospedeiro

    Registe Halimione, Suaeda ou Atriplex adjacente e confirme a espécie da parasita pelas flores e cápsulas.

  3. Proteger a zona radicular

    Exclua roçada profunda, circulação e mobilização de sedimento num raio que inclua as raízes do hospedeiro.

  4. Reservar propagação a investigação

    Sementes minúsculas precisam encontrar raiz compatível e sinais químicos; co-cultura requer laboratório, licença e desenho de conservação.

Janelas nacionais

Calendário

Plantar
JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez

Estas são janelas de referência. Atrase com geada e altitude; antecipe em encostas quentes e zonas costeiras suaves.

Depois de plantar

Cuidados essenciais

Manter hospedeiros saudáveis

Preserve hidrologia, salinidade e estrutura dos arbustos sem adubar ou regar seletivamente a parasita.

Monitorizar sem escavar

Conte hastes, flores e cápsulas por fotografia anual, aceitando que a emergência acima do solo varia entre anos.

Evitar “limpeza” estética

Formas amarelas sem folhas podem parecer mortas ou doentes; informe equipas para não as remover.

Diagnóstico antes de tratar

Problemas frequentes

ProblemaComo reconhecerPrimeira resposta
Hospedeiro cortadoDesaparecem arbustos halófitos e a cistanche deixa de emergir nos anos seguintes.Restaurar a comunidade hospedeira com proveniência local, não semear a parasita isoladamente.
Escavação curiosaSedimento revolvido e raízes expostas em torno da haste floral.Sinalizar discretamente, limitar acesso e explicar que a ligação não deve ser mostrada no campo.
Ausência num anoNão há haste visível apesar de hospedeiros aparentemente saudáveis.Continuar monitorização plurianual; não concluir extinção nem mobilizar o solo.

Cistanche phelypaea não é uma doença a eliminar. É uma interação nativa especializada; remover a haste ou desenterrar a ligação pode danificar simultaneamente parasita e hospedeiro.

Contexto português

Adequação regional

Norte litoral Rara ou inadequada sem população confirmada; conservar hospedeiros onde já ocorre.
Norte interior Não existe aplicação em cultivo interior nem deve ser introduzida.
Centro litoral Possível apenas em estuário com registo confirmado e hospedeiros nativos.
Centro interior Inadequada fora de comunidade halófita costeira estabelecida.
Lisboa e Vale do Tejo Muito adequada nos estuários onde ocorre naturalmente; a ação é conservar, não plantar.
Alentejo Excelente em comunidades hospedeiras confirmadas do litoral alentejano, sem translocação.
Algarve Excelente nos sapais algarvios adequados, protegendo a rede hospedeiro-parasita.
Açores Não introduzir material continental; confirmar flora e interações de cada ilha.
Madeira Não introduzir a parasita em comunidades madeirenses sem programa oficial.