Prancha botânica de Bolboschoenus maritimus com colónia de caules triangulares, folhas longas, glomérulos de espiguetas castanhas e tubérculos no rizoma
Costeira Média

Junça-marítima

Bolboschoenus maritimus · Cyperaceae

Ciperácea vigorosa de águas doces a moderadamente salobras, própria da transição superior de estuários, lagoas e salinas abandonadas, propagando-se por rizomas e tubérculos.

ExposiçãoSol pleno
ÁguaSolo saturado ou água rasa doce a salobra
CicloGeófito perene rizomatoso com tubérculos
SoloLodo ou limo húmido, fértil, com salinidade baixa a moderada
pH5,8–8,2
Espaço60–100 cm, deixando expansão

Do início ao estabelecimento

Como plantar

  1. Medir o gradiente salino

    Escolha a transição onde chega água doce e a salinidade é menor que no sapal de salicórnia e morraça.

  2. Definir limite de expansão

    Antes de plantar, reserve canais e clareiras; rizomas e tubérculos podem formar colónias densas.

  3. Usar plugs de viveiro

    Instale plantas jovens rastreáveis em vez de mover sedimento ou tubérculos de zonas húmidas naturais.

  4. Plantar em água rasa

    Coloque o rizoma poucos centímetros abaixo do lodo, com rebentos expostos, durante a estação fresca.

Janelas nacionais

Calendário

Semear
JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez
Plantar
JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez

Estas são janelas de referência. Atrase com geada e altitude; antecipe em encostas quentes e zonas costeiras suaves.

Depois de plantar

Cuidados essenciais

Manter água sem eutrofizar

Preserve nível e salinidade naturais; não adube nem permita descarga rica em nutrientes.

Conter por corte seletivo

Se invadir canal, retire pequenos setores e tubérculos sob plano, mantendo parte da colónia como habitat.

Vigiar outras helófitas

Compare cobertura com caniço, tabua e juncos para detetar mudanças de água doce e nutrientes.

Diagnóstico antes de tratar

Problemas frequentes

ProblemaComo reconhecerPrimeira resposta
Expansão excessivaColónia fecha água aberta e exclui pequenas halófitas.Rever nutrientes e hidrologia; aplicar controlo faseado com remoção de tubérculos.
Salinidade elevadaPontas queimadas, pouca rebentação e morte após intrusão prolongada.Não regar por cima; escolher cota mais interior ou espécie mais halófita.
Tubérculos dispersosNovos focos aparecem após movimentação de lodo ou limpeza mecânica.Conter sedimento e limpar equipamento antes de sair da massa de água.

A espécie pode crescer vigorosamente e os tubérculos viajam com sedimento. Em restauro, a contenção espacial e a limpeza de maquinaria fazem parte do plano de implantação.

Contexto português

Adequação regional

Norte litoral Excelente em lagoas, estuários e valas costeiras de salinidade moderada.
Norte interior Boa em zona húmida interior onde a população e o estatuto autóctone sejam confirmados.
Centro litoral Excelente em margens de ria, arrozal e salina abandonada com água pouco salina.
Centro interior Boa em pauis e margens interiores húmidas, sem a apresentar como espécie de sapal baixo.
Lisboa e Vale do Tejo Excelente na transição salobra dos estuários e lezírias, com espaço para expansão.
Alentejo Muito adequada a lagoas e salinas antigas, dependendo de água persistente.
Algarve Excelente em margens salobras algarvias fora da maior salinidade diária.
Açores Confirmar população e origem da ilha; não transportar tubérculos entre arquipélagos.
Madeira Usar somente material madeirense confirmado em projetos locais.